Breve nota sobre a história do Instituto Rocha CabralO Instituto Rocha Cabral foi criado em resultado do testamento, aberto em 1921, de Bento da Rocha Cabral, que deixou a maior parte da sua fortuna, amealhada no Brasil, para a criação de um instituto de investigação que deveria ser dirigido por Matias Boleto Ferreira de Mira (1875-1953), professor de Química Fisiológica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. O instituto iniciou a sua instalação em 1923, com profundas obras de adaptação da antiga morada de habitação do fundador. As actividades de investigação foram iniciadas em 1927, com quatro investigadores: M. B. Ferreira de Mira e seu filho Manuel Ferreira de Mira (ob. 1929), Luís Simões Raposo e Fausto Lopo de Carvalho (1890-1970).De acordo com a orientação dada pelo seu primeiro director, o Instituto dedicou-se principalmente à investigação pura, sem esquecer o apoio à investigação aplicada.Constituiram-se quatro secções: Fisiologia (tutelada por Joaquim Fontes e Marck Athias), Histologia (por Augusto Celestino da Costa), Química biológica (M. B. Ferreira de Mira e depois Kurt Jacobsohn) e Bacteriologia (primeiro com Lopo de Carvalho e M. Ferreira de Mira, e depois da morte deste, com Alberto de Carvalho).O Instituto acolheu as primeiras investigações com animais que levaram à descoberta da angiografia por Egas Moniz, assim como as que conduziram ao desenvolvimento da angiopneumografia por este investigador, juntamente com Almeida Lima e Lopo de Carvalho. O Instituto acolheu e apoiou um conjunto muito apreciável de investigadores, incluindo, entre outros e para além dos já referidos, o parasitologista Carlos França (1877-1926), a fitopatologista Matilde Bensaúde (1890-1969), a primeira portuguesa doutorada nas ciências biológicas e o Padre Joaquim da Silva Tavares, S.J. (1866-1931), o fundador da revista Brotéria. Para saber mais:Começar pelo opúsculo bilingue, com os documentos constitutivos básicos e plantas do edifício, editado logo em 1926 [Rocha Cabral, Instituto. O Instituto de Investigação Scientifica Bento da Rocha Cabral. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1926.], seguido pelo texto da conferência proferida pelo seu director em 1939 [Mira, M. B. Ferreira. ``O Instituto Rocha Cabral e a sua obra''. A Medicina Contemporânea, 57, 24 (1939) 277-281; O Instituto Rocha Cabral e a sua obra: conferência realizada no Porto, em 22 de Abril, a convite da Liga de Profilaxia Social. S.l.: s.n., 1939]. Um relatório detalhado da investigação realizada no Instituto durante os primeiros sete anos de actividade, foi igualmente publicado pelo seu director [Mira, M. B. Ferreira. ``Sete anos de investigação científica''. Actualidades Biológicas, 6 (1934) 1-57]. Para além das suas publicações com carácter periódico, como os Travaux de laboratoire de l'Institut Rocha Cabral e as Actualidades Biológicas, a direcção e a administração ainda publicaram anualmente detalhados relatórios de actividades e contas.
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